Quarta-feira de Cinzas

Carnaval. A idéia que sempre tive: integração. Época em que cores, crenças e ideais colocam-se à disposição da maior festa popular do mundo. Aqui no Rio, por exemplo, nos blocos de rua, vejo gente de todas as classes sociais, negros e brancos, turistas, bêbados e traficantes, modelos e prostitutas. Burguesia e escória juntos pulando ao som de marchinhas.
Na quarta-feira de Cinzas, ao cessar das batucadas, voltamos à segregação que tanto me enche de vergonha. Os foliões que pularam, beijaram, se esfregaram, voltam a discriminar, apagando toda a alegria que havia em seus corações. Sei que “todo carnaval tem seu fim”… mas eu gostaria que não.

A seguir, umas palavras sobre carnaval

Quarta-feira

O ritmista já começa a batucar
Pandeiro, bumbo e tamborim
Fazendo o carioca sambar
Chocalho, surdo de terceira
A cuíca começa a chorar

Faxineira, cozinheiro e senador
Prostituta, mestre-sala
Trombadinha e o puxador
Mangueira, Cacique, Mocidade
Bola Preta e Beija-Flor
Essa festa é uma mistura
Dinheiro não tem valor
Todo mundo se parece
Vivendo a vida com amor

Quarta-feira tudo acaba
O povo já esqueceu
A alegria desaba
Até o céu escureceu
Todo mundo discrimina
Achando que isso é normal
A democracia termina
Junto com o carnaval
Alegorias viram cinzas
Adeus à justiça social.

A foto usada é da Comissão de Frente da Estação Primeira de Mangueira no Desfile de 2007

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