Um abraço

Pouco passava da meia-noite. Apesar de saber exatamente onde estava, parava com o carro de quadra em quadra, solicitando informação. Apenas para sentir-se vivo, pensante, comunicativo.

Em determinado momento, estacionou diante de um precipício, desceu do carro, parou em contra-luz e pôs-se a declamar:

Vida, vida, vida, VIDA!
Eu canto a morte através da vida
Eu canto a dor de cada ferida
Canto a tragédia quase esquecida

Que nem o tempo pode apagar

Nenhuma lágrima há de lavar
O muro que construí em minha vida
Nem eu mesmo para derrubar

Calou-se, sentou sobre o capô de seu carro e permaneceu em silêncio durante dez longos minutos. Na beirada daquele precipício, onde durante o dia era freqüentado por jovens dispostos a usar drogas leves, reviu sua trajetória. Estava tão sozinho ali que permitiu-se pensar alto:

da agonia ao pranto… um susto
do pranto ao desespero… alguns passos
o que me resta desta vida… alguns rastros

uma bandeira sem cor, sem pátria, sem mastro

não enxergo meu caminho de volta ao espaço

estou cego à lua e estrelas, um abraço
.”

Uma viatura o surpreendeu. Com a visão ofuscada pelo farol, fechou os olhos e pulou Entregou-se à gravidade. Não faltou medo, nem sobrou coragem. Para uma viagem sem volta, não basta apenas partir. Encontrar a morte é deixar de sentir. Receio ou saudade, esperança ou felicidade. Como numa ponte velha, que vai ruindo até finalmente despencar, e o transeunte cair.

Alguns devem estar se perguntando o porquê do número 100 no início do post… Completo aqui cem postagens… nem imaginam como estou feliz com isso. A melhor maneira que encontrei para comemorar é praticar a criatividade, como num post qualquer. Sei que já podia ter atingido essa marca há um bom tempo, mas os tempos são outros e a correria é muito maior. Queria deixar aqui minha gratidão a cada blogueiro desta minha lista de links, que me acompanham e eu os acompanho. Foi e é tão divertido e às vezes tão emocionante… A quem não é blogueiro, mas lê, um “muito obrigado” de igual apreço.
Agora, que venham mais cem, duzentos… até quando a cabeça e o coração permitirem.

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