Intuição [Última parte]

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Fabrício tentou levantar, mas ainda estava zonzo. Sentou-se encostado na parede. De repente, ele levantou e parecia que ele ia partir em direção a Camila, aparentemente para atacá-la. Corri e joguei meu ombro contra o corpo dele, fazendo com que caísse de novo ao chão. Marina deu um grito. Ele agarrou minhas pernas e caí por cima dele. Marina pedia que parássemos.Quando tentei levantar de volta, ele continuou segurando minha perna esquerda e, com a minha perna direita eu o chutei. Nem percebi que estávamos na beira da escada e, quando menos esperava, ele rolou até o andar inferior. E Marina começou a chorar.

Ainda sem acreditar no que vi, fiquei sentado na beirada da escada. Camila correu até lá e constatou que ele não estava respirando. Ela olhou para Marina, que ligava para a emergência. O casal vizinho do andar debaixo chegou cerca de 10 minutos depois. Camila falou para não tocarem em nada e que já tinha chamado a emergência. Eles entraram em seu apartamento, como se não tivessem visto nada demais. E os paramédicos só foram chegar cerca de 40 minutos depois. Fabrício ainda foi ao hospital, mas já chegou sem vida e foi encaminhado ao IML.

Mesmo tendo voluntariamente comparecido à Delegacia para depor, cerca de 2 semanas depois foi pedida minha prisão. Meu habeas corpus foi negado 2 vezes. Na terceira visita de Camila, ela disse que Marina supostamente denunciou um homicídio doloso. Minha revolta foi grande. Quando ouvi isso, naquela hora eu era perfeitamente capaz de cometer um homicídio, com toda minha intensão de tirar a vida da priminha canalha de Fabrício.

Depois de 2 meses preso, numa manhã de chuva, recebi uma visita surpresa. Na sala de visitas, Marina aguardava-me do outro lado da parede de acrílico, que nos separava. Eu mantive o controle, estava algemado e nada podia fazer, de qualquer jeito. Apenas olhei-a nos olhos. Como quem sente-se traído. Ela nada dizia e, ainda assim, mantive meu silêncio.
De repente, vejo lágrimas escorrerem por seu rosto. Ela levantou sem sequer despedir-se. No final do dia seguinte, eu estava solto.

Eu quis procurá-la. Não sei bem se para agradecer, ou se para perguntar por que ela havia feito a denúncia. Só fui ter notícia de Marina na sala de audiência, quando soube que ela tinha mudado seu depoimento. E ela voltou para o sul, sem dirigir-me a palavra um minuto só.

Não falo com Camila há meses. O susto foi grande, estou deixando a poeira baixar.


Lembrando que trata-se de ficção e que, qualquer semelhança com fatos reais, é mera coincidência.

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