Como antigamente

Sentou-se sobre o lençol frio da cama de madeira. Olhou a irmã, que lia. Dividiam o quarto desde que dormiam em berços. Nasceram no mesmo dia. Para quem observa as paredes, nota-se personalidades um tanto diferentes…

– Vivem dizendo que não se faz música nem cinema como antigamente… então quando a gente for mais velha, vamos lembrar de quê?
– Cala a boca, imbecil.

Levantou. Caminhou pela sala, com os pés nus sobre o piso de taco – encerado – até a porta, entreaberta. Foi até lá e viu que a empregada lavava a escadaria do pequeno prédio onde morava. Ela trabalhava para sua família desde antes do seu nascimento. Naquele momento, pensou que talvez ela a conhecesse melhor que sua própria mãe.
– Não pode passar agora, tá molhado.
– Não tem problema, eu sei voar.
Dali, do patamar, fechou seus olhos, deu um salto e nunca mais tocou o chão. Não que se lembre. Se não estava no céu, pelo menos parecia um mundo mais encantador do que aquele em que se aprisionava…

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