Música e Futebol de Resultados

O que faz um bom produtor musical? Valoriza os talentos individuais e extrai o melhor de cada um deles. Nos tempos de hoje, produtores parecem ter uma gana de aparecer mais que seus contratantes. As bandas de emocore que o digam, com seu som burocrático, feito apenas para tocar muito nas rádios e um tanto difícil de diferenciar. Você sabe dissimilar Fresno de NxZero? Nem eu.

Nesta Copa do Mundo, o agora ex-técnico Dunga buscou uma equipe com um meio de campo altamente burocrático – lotado dos chamados cabeças de área – e quase sem talentos individuais. Resultado: na hora da verdadeira decisão, não havia “artistas” a quem recorrer e decidir uma partida. Ou Kleberson e Josué são craques capazes de incendiar um jogo?

Quando o ex-jogador holandês Cruyff disse que não pagaria para ver os jogos da Seleção, ele tinha razão. O brasileiro é sabidamente um povo talentoso, tem as artes correndo nas veias e é valorizado internacionalmente por causa disso. Nossa música é inconfundível e nossos grandes compositores venerados por isso. Também éramos assim no futebol. Queremos dribles desconcertantes. Queremos batucada de primeira. O time enviado à África do Sul estava longe de ter a cara do Brasil. Um técnico queria aparecer mais que seus comandados e mandou a campo o chamado “futebol de resultados”. Tenho asco dessa expressão. Seria o mesmo que compor apenas para tocar nas rádios e abrir mão da qualidade individual, das boas letras e melodias. 

É claro que nem sempre um futebol bonito, assim como boas canções, são um sucesso. Zico perdeu um pênalti decisivo; belas composições não tiveram o merecido reconhecimento. Mas de quem você vai lembrar com carinho: Dos belo times da década 80 ou deste em 2010? Tom Jobim ou qualquer outra banda emo que poluem os “mp3 players” da garotada? Pois é. Não digo que faltou garra àquele time. Eu, como brasileiro, torci como sempre. Mas que faltou samba no pé, não me restam dúvidas.
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2 pensamentos sobre “Música e Futebol de Resultados

  1. Eu tenho a impressão que a década de 80 foi iluminada, genericamente falando, e no futebol não foi diferente.. E o coração de quem viveu ela intensamente já sabia disso.. mas a natureza insasiável do homem só começou a se dar conta desse fato no milênio seguinte..É isso mesmo, Marcão, aquela seleção que voltou pra casa em 82/86 marcou mais até do que outras que foram campeãs.. O.oCássia.

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