Cão dos diabos

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Eu andava pelos becos

chutando o lixo pros cantos,

desacreditado.

zanzando pra lá e pra cá

punindo a mim mesmo,

como um viciado.

 

Foi quando dei de cara

com essa criatura

cabeça baixa, insegura

ouviu meus passos,

despertou.

Seu olho brilhando

no breu,

de repente encontrou

o meu.

Rosnou, latiu,

mas não avançou.

E foi bem ali

na rua da amargura

que ele me ganhou.

 

o amor

o amor é um cão

dos diabos.

como quem nada quer,

vem abanando seu rabo.

te pega pra escravo

 

o amor

o amor é um cão

dos diabos.

você pode negar,

mas alimenta o coitado.

e vale cada centavo.

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5 pensamentos sobre “Cão dos diabos

  1. Ah! E é assim mesmo. Eu posso confirmar. Uma vez que se ame alguém, para sempre escravo desse alguém. Ainda bem que meu marido é um príncipe. Ser escrava de um príncipe é tudo de bom. 🙂

    • Que comentário lindo, Iza. Por essas e outras continuo acreditando no amor.

      Hoje perguntaram à Rita Lee se ela namoraria um garotão. Ela simplesmente respondeu: namoro um há 35 anos.

      Ah escravidão…

  2. Impressionante o efeito que Bukowski causa em você. Falar de amor dessa forma animal não era pra ser bonito, mais ficou muito lindo. É um dos poemas mais bonitos que você já escreveu 🙂

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