Doença contagiosa

Essa crônica foi escrita, originalmente, para concorrer em uma promoção do Circo Voador, tradicional casa da Lapa. O vencedor ganhava a caixa Lobão 81-91, mais o livro Lobão 50 anos a mil, escrito pelo próprio, com o jornalista Claudio Tognolli, além de um par de ingressos para o show que aconteceu ontem. Eu ganhei e com prazer repasso a vocês uma pequena história com o cantor.

Publicado originalmente em: http://novasdocirco.blogspot.com/2011/02/resultado-da-promocao-lobao-e-voce-mil.html


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Lobão e eu sempre tivemos muito em comum: a verborragia, a inquietação, aquela insatisfação com o que estão se satisfazendo. O mais engraçado disso tudo, é que eu detestava o cara. E me sobravam adjetivos para excomungá-lo. Claro, ele execrava o samba e a bossa nova nos jornais. Eu até evitava ouvir suas músicas pra não correr o risco de gostar muito.

Tempo vai, e eu chego a universidade. Estudar na Rural foi a pedra fundamental. Havia todo tipo de gente: muitos verbos, hábitos e estilos musicais e, principalmente, um grande grupo de caretice extrema. Uma rodinha de samba e choro, que no começo eu achava o máximo, mas que com tempo foi me dando uma agonia: aqueles caras sabiam tocar, cantar, eram bons… mas não estavam criando nada!

Foi aí que Lobão voltou à tona. Toda aquela contestação dele começou a fazer muito sentido. O que ele dizia não era contra o samba e o choro. Era contra a extrema falta de criatividade que assola este país e principalmente o Rio de Janeiro, que já foi berço cultural do Brasil, e hoje não passa de um cemitério. Nossas ideias começaram a se cruzar, numa sintonia de pensamentos assustadora (pelo menos pra mim)! Naturalmente, comecei a prestar atenção também ao seu trabalho. A estética, as letras, tudo isso me provocando uma admiração profunda. No calor da descoberta, escrevi uma crônica em meu blog pessoal que, por intermédio de uma amiga em comum, chegou a ele. Dá para imaginar o orgulho que me deu quando a mesma foi publicada em seu site oficial. Até começou a rolar, pelo twitter, uma brincadeira de que eu era filho dele… Na ocasião do lançamento de sua biografia, em São Paulo, pedi a essa mesma amiga que levasse para autografar: “Essa é pro seu filho virtual”… Ela até ficou surpresa com a resposta: “O Marquinho?”. Sinal de que a “paternidade” estava reconhecida e, com ela, o respeito e a idolatria. Como todo bom filho, enxergo o lado bom, o homem João Luiz, que não é nenhum bicho, é gentil, engraçado e até carinhoso. Ainda que muito contestador e, talvez por isso, incômodo.

Pronto, minha cova está aberta. Bem do jeito que eu era, existe aos montes. A mesma aversão que eu sentia, muita gente sente também. Além disso, transferem para quem gosta dele, como uma doença contagiosa. No meu caso até hereditária… Pensando bem, acho que quero ficar doente por muito tempo. E realmente espero que essa doença vire uma epidemia. Quem sabe uma nova onda de criatividade se espalha por aí? Isso é rock.

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2 pensamentos sobre “Doença contagiosa

  1. Independente da brincadeira de daddy prá cá, daddy prá lá, a verdade é que o Marco tem uma predisposição grande prá transformação. Não do tipo rasa.Se assim não fosse não teria essa aproximação com Sr.Lobo. Tem identificação aí.É o próprio demônio-Lobão indigesto, desafiando você a pensar no que nunca pensou. Não é para covardes e o Marco sabe do risco que tá correndo…e tem paudurescência prá isso! ehhhh seu lindo!

  2. Poxa, esse post merecia ir pro Coisas Nossas, heim? Tu e o Lobão merecem! 😉
    AMEI!!! Não consigo mais parar de ouvir a música que tu me enviou “Das tripas, coração”

    Posta lá… (Tô de férias)rsrs

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