Imagine só

 

Tipografia

Typography by SP-Chonchu

Imagine que, no dia do casamento, você tropeçou nas escadas que levam ao altar. Em seguida, você deixou a aliança cair no momento da troca. É muito provável que naquele instante ou em um breve período você fará alguns questionamentos.

– Foi um sinal? Estou fazendo a coisa certa? Será que a vida é mesmo pra ser assim?

Está aí o grande problema das pessoas. Ficar buscando problemas. É necessário, diria até vital, se preocupar, sim, com detalhes. Que detalhes?

As palavras. Essas realmente importam. Às vezes, não dizemos exatamente o que estávamos pensando. Acho até que isso só acontece quando não se sabe – seguramente – o que se está pensando. Tudo bem, ninguém é mesmo uma fortaleza, por mais que demonstre ser.

Além de falar, um grande exercício é ouvir. E ouvir vai bem além do escutar. Não apenas o que se quer, amplie o horizonte. Interpretação. Lembre-se de outras pessoas também erram nas escolhas. E que você também pode entender errado, por mais clara que a mensagem tenha sido transmitida.

Agora imagine – clichê, eu sei – fazer uma tatuagem com as iniciais da pessoa amada. E o relacionamento acaba. A tatuagem fica. Fica a vergonha, o rancor e a vontade imensa de superar e se desapegar. Demanda muita coisa: tempo, dinheiro… mas, acima de tudo, nervos.

Voltemos à cena do casamento. Você tropeçou porque estava desatento. Deixou a aliança cair pelo mesmo motivo. Provável, até previsível.

Imagine-se num começo de relacionamento. Se você não cuidar com que certas palavras sejam as palavras certas, será exatamente como uma tatuagem arrependida.

Arrisque-se, sim. Mas pelo menos saiba o que está dizendo – e ouvindo. Você vai querer olhar para as marcas da sua pele com algum saudosismo, mas com a certeza de que escolheu as palavras certas. Que isso deu mais orgulho que inveja. E que, a despeito do que muitos podem pensar, você ainda tem muito a dizer.

Eu sigo escolhendo certas palavras. E você?

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7 pensamentos sobre “Imagine só

  1. É difícil escolher as palavras certas depois de ler essa crônica.
    Adorei?…Amei?
    Por isso sou tão fã do Marco Sá.
    Beijos.

  2. Eu sigo deixando minha boca falar. Às vezes dá errado porque nem sempre sei de onde vem os pensamentos. Ainda bem que não são tatoos…

  3. Eu? Eu continuo aprendendo contigo… além de poeta, é escritor… e dos bons! Crônica envolvente do início ao fim, me deixou com vontade de “quero mais”. Sem exagero algum!
    AMEI!!!

  4. Oiii querido!

    falei pra ti que faria um comentário ontem né… Mas, graças a minhas novas aquisições culturais/musicais, passei boa parte da noite ouvindo novos sons, conhecendo, lendo, buscando… Sons que tu tá me apresentando.

    Sabe que eu já tava achando essa parada de Twitter um saco… Pra mim só valia a pena por receber as tuitadas únicas do Lobão e as do Mauricio de Sousa (meu grande mestre).

    Daí a gente vai fuçando… descobrindo… até que acha alguém disposto a te agregar em alguma coisa.

    Então te achei!

    Adorei mesmo o blog. Muito no estilo do que gosto de ler. Inteligente, vivo, belo.

    Agora vê se atualiza essa bagaça aqui, né! 🙂

    Beijão,
    Ju.

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