auto-retrato

Se eu pudesse me descrever melhor, usaria aquelas engraçadas explicações de nomes indígenas: Marco deveria significar “aquele não termina”. Há uma tênue diferença, quase inexplicável, entre deixar inacabado e desistir. Se por um lado, me dá esperança de um dia terminar as coisas mais velhas, às vezes me sufoca, pensando que não devia começar mais nada. Sempre fui incompleto, amo a música e nunca fui um instrumentista virtuoso; escrevo boas letras, porém nem sempre tenho paciência com métrica. Meu romance nunca passou da segunda página. Eu vejo o tempo passando tão depressa, já se foram meus 20, quase 30… E por isso começo uma coisa nova a cada dia. Vivo no eterno dilema entre a frustração e a esperança, mas deixo o amor em aberto.

Escrito especialmente para o Projeto Auto-Retrato

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