dramáticos gramáticos

o amor é um hiato
a dor metonímia
vida é pleonasmo
aliterando vícios
riscos, risos
a razão, advérbio
de negação.

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ela por ele

o mundo pode estar em guerra
que ele só quer ver o sol nascer com ela

pois se ele acordou do lado errado
ela sabe como fazer sorrir
nem sempre com um carinho, um sorrisinho bonitinho
mas ela sabe fazer sorrir (até na base da porrada)

ele poderia fazer uma playlist
pra não esquecer que o amor existe
mas se ela está sempre por perto
mesmo que não esteja de fato perto
(ela tem razão até quando não tem)

ele escreve um verso ou outro
ela sempre fica apaixonada
pelo que leu, o que vai ler
mas fica feliz quando percebe
nada do que está escrito não é nem metade
de uma parte do que ele sente por ela.

o mundo pode estar em guerra
que ele só quer ver o sol nascer com ela
(e ela com ele)

e ela tem um jeito só dela de sentir saudade.
ela tem um beijo de dar mais vontade
(mesmo que o primeiro tenha sido horrível)
eles tem um jeito só deles
(e ninguém vai dizer qual é o jeito certo)

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Central do Brasil

havia quem vendesse de tudo
sacolas, farrapos
maconha, sapatos
sorte, crack e mais trapos

mendigos, navalhas reluzentes
ignoravam raios de sol ardentes
em meio aos pombos, assim
desmaiavam, descrentes

havia quem comprasse de tudo
a fé no infinito
o riso contido
o amor não resolvido

Fumante compulsivo

Vive tentando fugir
Mais procura onde ir
Menos vai encontrar

E ainda tem que sorrir
Pra quem só está ali
Pra lhe fazer chorar

Não se engane, rapaz
Você nunca será o topo
da cadeia alimentar

O mundo é agressivo
somos todos animais
já não há mais alegria
de passados carnavais

Ele pensa em suicídio
em decúbitos dorsais
seu talento em desperdício
em romances casuais

um fumante compulsivo
verdadeiros temporais
seus amigos eram vinte
hoje não sabe mais…

fracassado inexpressivo
derradeiros carnavais
um dia encontra motivo
e vai tragar a sua paz